Como especialista em cinema, trago as dúvidas mais frequentes dos espectadores sobre o aclamado drama cubano Viva (2015), dirigido por Paddy Breathnach. Para esta análise, foi considerada a versão original de cinema (com cerca de 100 minutos de duração), que representou a Irlanda na corrida do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
1. Por que o pai de Jesús, Angel, reaparece de forma tão violenta no início do filme?
Angel passou 15 anos na prisão por assassinato e, ao ser libertado, buscou o filho por não ter para onde ir na decadente Havana. O soco que ele desfere em Jesús no palco é o choque brutal de um ex-boxeador homofóbico ao confrontar a realidade da identidade e do trabalho do filho em um clube de drag queens.
2. Qual é o significado por trás do nome artístico "Viva"?
Jesús escolhe esse nome de maneira improvisada ao olhar para uma revista de moda antiga chamada Viva antes de seu primeiro teste. Ironicamente, o nome se torna um símbolo perfeito de resistência e celebração da vida, representando o desejo profundo do jovem de se sentir vivo e livre através da arte.
3. Por que Jesús aceita sustentar o pai e parar de se apresentar, mesmo sendo maltratado por ele?
Jesús cresceu órfão de mãe e completamente abandonado, desenvolvendo uma carência extrema por uma figura paterna e pela aprovação de Angel. Ele aceita o abuso e recorre temporariamente à prostituição por desespero financeiro e pelo desejo doloroso de construir um laço com o único parente que lhe resta.
4. Qual é a doença de Angel e como ela muda a dinâmica entre pai e filho?
Embora o filme não dê um diagnóstico médico exato, fica claro que Angel está sofrendo de uma doença terminal progressiva nos pulmões, agravada pelo alcoolismo. Essa vulnerabilidade quebra a casca de "bruto" do ex-boxeador, fazendo com que Jesús passe a cuidar dele não mais por medo, mas por genuína compaixão e amor.
5. Qual é a importância da personagem "Mama" na jornada de Jesús?
Interpretada pelo veterano Luis Alberto García, Mama funciona como uma figura materna e mentora crucial, oferecendo o suporte emocional e profissional que Jesús nunca teve em casa. Ela enxerga o potencial do jovem e serve como o contrapeso acolhedor à masculinidade tóxica e agressiva imposta por Angel.
6. O filme se baseia em fatos reais ou em alguma obra literária?
Não, o roteiro de Mark O'Halloran é uma história original, inspirada por uma viagem que o diretor Paddy Breathnach fez a Cuba. O diretor ficou fascinado ao testemunhar o amor e a união de uma família local que se mobilizou para construir um pequeno teatro para um jovem artista de drag, gerando a premissa central do longa.
7. Por que um filme ambientado totalmente em Cuba e falado em espanhol foi o candidato da Irlanda ao Oscar?
O projeto é uma produção majoritariamente irlandesa em termos de financiamento, produção e direção (Paddy Breathnach e o roteirista são irlandeses). Pelas regras da Academia de Hollywood, o país de origem da produção pode submeter um filme em qualquer idioma, desde que a língua majoritária não seja o inglês.
8. Qual é a música que Jesús performa na cena clímax e qual o seu significado?
Jesús dubla com intensa paixão a canção "El Amor", da cantora espanhola Massiel. A letra dramática e a performance visceral servem como um desabafo de todas as dores reprimidas do protagonista, além de ser o momento exato em que ele conquista o respeito definitivo de seu pai.
9. O que acontece na cena final entre Jesús e Angel?
O final mostra a resolução emocionante do arco de reconciliação, onde Angel, debilitado e à beira da morte, finalmente aceita e apoia a homossexualidade e o talento do filho. A transformação do olhar de Angel de desgosto para orgulho sela o perdão mútuo e valida a identidade de Jesús como artista.
10. Como a ambientação em Havana funciona como um personagem na história?
A cinematografia de Cathal Watters captura o contraste entre a decadência das ruas de Havana — descrita no filme como "a favela mais bonita do mundo" — e as cores vibrantes do clube noturno. Essa dualidade reflete a própria vida de Jesús: a miséria cotidiana sufocante versus o refúgio libertador e glamouroso que ele encontra nos palcos.
Se você quiser se aprofundar mais na produção de Viva, posso trazer detalhes sobre a trilha sonora repleta de clássicos latinos ou discutir o impacto do ator Jorge Perugorría, uma das maiores lendas do cinema cubano moderno. Como gostaria de prosseguir?