Como especialista em cinema, analisei o longa Tesla: O Homem Elétrico (2020), dirigido por Michael Almereyda e estrelado por Ethan Hawke. Esta obra adota uma abordagem pós-moderna, vanguardista e assume-se como um "antibiopic" teatralizado. Abaixo estão listadas as perguntas mais frequentes feitas por espectadores casuais, considerando a versão original de cinema exibida no [Sundance Film Festival](https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-reviews/tesla-sundance-2020-1274169/).
1. Por que o filme mostra tecnologias modernas como celulares e notebooks em pleno século XIX?
Esses anacronismos propositais servem para destacar como a mente de Nikola Tesla estava décadas à frente de seu tempo. O diretor utiliza esses objetos para lembrar o público de que o mundo hiperconectado e sem fio de hoje só existe graças às bases fundamentais lançadas por ele.
2. O que significa a cena final em que Tesla canta a música "Everybody Wants to Rule the World" no karaokê?
A cena é uma quebra radical da quarta parede que simboliza o isolamento melancólico de Tesla e seu desajuste em relação ao mundo capitalista. A letra da canção do Tears for Fears sintetiza perfeitamente a ganância dos barões industriais da época que queriam "dominar o mundo", enquanto o cientista buscava apenas democratizar a energia.
3. A cena em que Tesla e Thomas Edison esfregam sorvete na roupa um do outro realmente aconteceu?
Não, e a própria narradora interrompe o filme logo em seguida para revelar que aquela briga infantil nunca existiu. O diretor criou essa passagem fictícia para ironizar a famigerada "Guerra das Correntes" e descontrair a densa rivalidade histórica entre os dois inventores.
4. Quem é a narradora da história e qual o seu papel exato no roteiro?
A narradora é Anne Morgan, interpretada por Eve Hewson, filha do bilionário e financista J.P. Morgan. Ela atua como uma ponte atemporal entre o passado e o presente, usando ferramentas modernas para analisar os poucos registros e fotografias reais de Tesla disponíveis no Google.
5. Qual era o verdadeiro interesse de Anne Morgan em relação a Tesla?
Anne demonstrava uma profunda admiração intelectual e um interesse romântico genuíno por Tesla, tentando inseri-lo nos círculos da alta sociedade. Contudo, ela acaba frustrada ao perceber que o inventor era incapaz de priorizar as relações humanas ou o afeto em detrimento de suas obsessões científicas.
6. Por que o filme usa cenários que parecem pinturas falsas e palcos de teatro em vez de locações reais?
A produção optou por esse visual minimalista e teatral devido ao baixo orçamento e à estética inspirada no movimento Dogville de Lars von Trier. Esses fundos projetados e cenários abstratos reforçam a ideia de que estamos explorando a mente fragmentada e a imaginação de Tesla, em vez de um documentário realista.
7. Tesla realmente conseguiu decodificar sinais vindos de Marte como sugere o filme?
O filme aborda fielmente a obsessão real do inventor em seus anos tardios no laboratório de Colorado Springs. Na vida real, Tesla captou ondas de rádio cósmicas desconhecidas e acreditou piamente que eram tentativas de comunicação alienígena, o que contribuiu para que a sociedade o isolasse e o considerasse um cientista louco.
8. Por que Edison tira um smartphone do bolso no meio de uma discussão no passado?
O diretor Michael Almereyda inseriu esse momento absurdo para ilustrar o desdém corporativo e a frieza de Thomas Edison. O gesto simboliza como Edison tratava a genialidade de Tesla como algo descartável, preferindo focar nas distrações mercadológicas e no monopólio financeiro.
9. O filme reconta fielmente o motivo pelo qual Tesla rasgou seu contrato milionário com George Westinghouse?
Sim, essa passagem é historicamente precisa e mostra o desprendimento financeiro do cientista. Tesla abriu mão dos royalties da corrente alternada para salvar a empresa de Westinghouse da falência, provando que sua ambição era o progresso humano e não o acúmulo de riqueza pessoal.
10. Qual é a principal mensagem do desfecho do filme sobre o legado de Tesla?
O encerramento enfatiza o contraste trágico entre o sucesso de suas ideias e o seu fracasso financeiro no sistema capitalista. Ao mostrar que ele morreu pobre e sozinho em um quarto de hotel, a obra conclui que Tesla foi um mártir da ciência cujos sonhos se tornaram a nossa realidade cotidiana.
Se você quiser se aprofundar mais na análise técnica ou no contexto histórico do filme, me avise para podermos explorar:
* Os detalhes reais da Guerra das Correntes contra Thomas Edison.
* As principais diferenças estruturais entre este longa e o filme [The Current War (2017)](https://www.imdb.com/title/tt5259822/).
* Detalhes sobre a fotografia de Sean Price Williams e as escolhas de iluminação.